sábado, 12 de março de 2011

Veja este editorial do Jornal OPOVO

Meio ambiente: planejar a qualidade de vida de Fortaleza

Caberia ao poder público manter em dia um levantamento das áreas verdes da cidade
12.03.2011| 01:30

A derrubada de todas as árvores de um bosque particular em pleno coração da Aldeota, durante o Carnaval, continua a repercutir. O assunto foi retomado pelo arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio Tosi, no lançamento da Campanha da Fraternidade, que tem como alvo justamente a preservação do meio ambiente. Embora já tenhamos tocado - embora ligeiramente - na questão, neste espaço, o assunto está a requerer debate mais profundo, tendo em vista o futuro.


Lamentando o acontecido, o Arcebispo defendeu uma maior reflexão de todos sobre a confusão de valores que ensejaria ações como aquela: “Nós temos responsabilidade social. Está na hora de repensar o valor do dinheiro”. E revelou que a Arquidiocese não escapou de tipo parecido de pressão, focada apenas no aspecto econômico, quando lhe foi proposta a venda do Seminário da Prainha para a construção de um empreendimento empresarial: “Você já imaginou, a importância daquele prédio para a cidade trocada por dinheiro?” - questionou.

De fato, embora a busca de caminhos para o incremento dos negócios seja essencial à economia de mercado (e, graças a isso, tenha produzido sociedades prósperas e dinâmicas), nesse processo deve correr paralelo o cuidado para compatibilizá-lo com as necessidades coletivas, levando em conta também valores como a defesa da cultura, da qualidade de vida e do bem-estar da sociedade. Daí, a noção da “responsabilidade social”, que não pode ser transformada numa mimetização de boas intenções ou em puros simulacros benfazejos.

A conservação dos patrimônios histórico e natural tem de ser levada em conta, com racionalidade, na equação de custos e benefícios. O aspecto econômico, apesar de relevante, nem sempre deve prevalecer. No caso em vista, a polêmica decorre do pressuposto benefício exercido pelo bosque na qualidade ambiental devido à reduzida presença de áreas verdes na região. Tudo isso, é claro, exige maior esclarecimento por parte dos técnicos.

Caberia ao poder público manter em dia o levantamento das áreas verdes existentes na cidade para ter tempo de agir em sua defesa, planejadamente, quando alguma delas for considerada indispensável para a qualidade de vida da população.
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