terça-feira, 22 de novembro de 2011

mobilize seus amigos.

ENTENDA: Em 2009, Projeto de Autoria do Vereador João Alfredo (PSol), foi sancionado pela Prefeita Luiziane Lins, transformando-se em Lei, Instituindo a Área de Relevante Interessante Ecologico das Dunas do Cocó (aquele terreno situado entre as Avs. Pe. Antonio Thomaz e Sebastião de Abreu). Ocorre que os empreendedores, responsáveis pela especulação imobiliária em Fortaleza, ajuizaram várias ações questionando a Lei, confirmada a sua Constitucionalidade pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. Outras ações ainda estão em tramitação, mas a Lei continua vigente. Contrariados em seus segundos interesses, tais especuladores, através de dois parlamentares municipais(Magaly Marques e Carlos Mesquita), estão propondo Emendas ao Plano Diretor de Fortaleza para a revogação da Lei e para a destruição de  áreas de recuperação ambiental transformando-as em área de ocupação consolidada , ou seja, perde-se a proteção daquela área magnificamente rica em ecossistemas importantes, a sadia qualidade de vida da população, além do berço para pesquisas científicas de áreas do conhecimento: geografia, geologia, biologia e outras. Absurdo.  Precisamos nos mobilizarmos e defendermos esse nosso patrimônio natural tão rico!  A NOSSA MOBILIZAÇÃO acontece NO DIA 23 DE NOVEMBRO, às 8:30 HORAS, NA CAMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA, para exigirmos dos parlamentares municipais o compromisso firmado para com o BEM COMUM, o interesse coletivo, que deve predominar ante os interesses de algumas classes que, infelizmente, visam outros interesses. 

NÃO VAMOS DEIXAR - FAÇA A SUA PARTE COMPAREÇA À CÂMARA MUNICIPAL

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PARA REFLEXÃO E AÇÃO

Brasileiros ainda adoecem por falta de saneamento básico
ESCRITO POR RAQUEL JÚNIA   
SEXTA, 18 DE NOVEMBRO DE 2011

Imagine se na sua casa não chegasse água encanada. Agora, imagine que o esgoto da sua rua corresse a céu aberto; ou que todo o seu esgoto doméstico e o de seus vizinhos fosse jogado no córrego mais próximo. Se você é morador de uma das 33 cidades brasileiras que não contam com abastecimento de água, ou de uma das mais de duas mil onde não há uma rede coletora de esgoto, sabe que esse cenário vai além da imaginação. De acordo com o Atlas do Saneamento 2011, divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há uma grande desigualdade entre as regiões do Brasil no quesito saneamento.

A partir dos dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB 2008), o Atlas mostra, por exemplo, que na região Norte do país, apenas 3,5% dos municípios contam com esgotamento sanitário. De acordo com o estudo, de 2000 a 2008 as condições de saneamento melhoraram levando-se em conta todo o território nacional, apesar disso, menos da metade dos domicílios brasileiros (45,7%) tem acesso à rede de esgoto. "Se a universalização da rede de abastecimento de água, coleta de esgoto e de manejo de resíduos sólidos constitui parâmetro mundial de qualidade de vida já alcançado em grande parte dos países mais ricos, no Brasil a desigualdade verificada no acesso da população a esses serviços ainda constitui o grande desafio posto ao Estado e à sociedade em geral nos dias atuais", considera o IBGE, na apresentação do Atlas.

De acordo com o Atlas, o saneamento, e mais especificamente o serviço de esgotamento sanitário, avançou mais onde a população mais cresceu, sobretudo nos grandes centros urbanos. Ainda assim, caso você seja morador de uma grande capital, mesmo do Sudeste - a região que, segundo o Atlas, é a melhor desenvolvida em termos de saneamento -, pode ser que a poucos quilômetros de sua casa encontre situações visíveis de problemas nos serviços de esgoto. A menos de um quilômetro de onde esta reportagem foi escrita, no Rio de Janeiro, é possível ver esgoto sendo escoado em um canal de água, um grave problema, conforme alerta o relatório, sem contar o uso que essa população faz da própria água contaminada.

O tamanho do desafio
Contaminação das águas e do solo, adoecimento da população, deslizamentos e inundações: de acordo com o Atlas, todas essas são conseqüências da falta de políticas efetivas de saneamento básico. Mas para entendermos o tamanho do desafio que o Brasil tem nessa área, é preciso entender o que é saneamento.

A professora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Simone Cynamon, define: "As pessoas confundem o saneamento com os elementos que o compõem, como abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo, drenagem pluvial. Tudo isso é a infra-estrutura básica, e todos esses serviços compõem o saneamento. O ser humano é produtor de resíduos, bebemos água e geramos urina, por exemplo. A água que consumimos vem do rio, é tratada e chega até nós com um nível certo de potabilidade. Ao utilizarmos essa água, geramos um resíduo líquido. Então, toda essa água que descartamos, da cozinha, do banho, é esgoto. O saneamento, portanto, é essa ciência que trabalha a proteção do ser humano e do meio ambiente onde ele está inserido. Porque quanto mais se joga resíduo no meio ambiente, mais ele irá gerar doença no ser humano, é um ciclo vicioso", explica.

A professora observa que a preocupação do ser humano com esse cuidado é bastante antiga. "Na pré-história, só o fato de existirem poços para proteger a água já era uma medida de saneamento, só que as pessoas não definiam assim. Nos povos da América, no Peru, por exemplo, havia esquemas de captação de água de chuva, formas diferentes de lidar com os resíduos. Na Roma antiga, havia aquedutos, que é uma forma de conduzir a água. Então, o saneamento existia muito antes da sociedade que conhecemos existir", diz.

A professora ressalta que a população que não tem saneamento é adoecida. Ela destaca que, no Brasil, de 20% a 30% das habitações constituem assentamentos urbanos precários, situação acompanhada de problemas de saneamento. "Há problema de cólera, de hepatite. Mesmo que o esgotamento seja composto de 20% de matéria sólida e 80% de matéria líquida, esses 20% servem de matéria para bactérias e vírus se alimentarem. Há várias doenças de veiculação hídrica gravíssimas, cujo tempo de latência é de dez a 15 dias, de modo que só se perceberá o adoecimento depois. A diarréia que adquirimos muitas vezes não tem a ver com a alimentação, como geralmente se associa, mas é causada justamente por bactérias de água contaminada. Se você lava a fruta com água contaminada, está ingerindo esta contaminação", alerta.

O Atlas mostra que a média brasileira de internações por doenças relacionadas a problemas de saneamento diminuiu entre 1993 e 2008, passando de cerca de 750 a cada 100 mil habitantes para cerca de 300. Entretanto, só em 2008, nos estados do Pará e Piauí, ocorreram de 900 a 1200 internações para cada 100 mil habitantes - os piores estados brasileiros nesse aspecto, seguidos pelo Maranhão, Rondônia e Paraíba, com índices de internação entre 600 e 900 para cada 100 mil habitantes. Embora o quadro geral brasileiro aponte uma queda no percentual de internações por diarréia, o mapa das mortes por essa doença em 2009, também de acordo com o Atlas, mostra regiões críticas nos estados do Pará, Bahia, Piauí, Maranhão, nas fronteiras entre Paraíba e Rio Grande do Norte, e Goiás e Mato Grosso.

A ocorrência de dengue é outro grave problema contido no Atlas. Dessa vez, estados da região Sudeste também aparecem entre aqueles com maior incidência da doença. O maior número de casos se concentra, em ordem decrescente, nos estados de Sergipe, Rio de Janeiro, Roraima, Rio Grande do Norte, Tocantins, Espírito Santo e Goiás. Os estados com menores índices concentram-se no sul do país, como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. São Paulo também está entre os três estados com mais baixa incidência.

Por que não há saneamento?

O Atlas analisa quatro serviços constitutivos do saneamento básico, a rede geral de distribuição de água, a rede coletora de esgoto, manejo de resíduos sólidos e o manejo de águas pluviais. Em relação à distribuição de água, os dados mostram que é na região Norte que a população recebe mais água sem tratamento - mais de 25% da água destinada para consumo humano nessa região não é tratada. O abastecimento de água cobre quase a totalidade do país, 99,4%.

"Embora seja evidenciado um movimento no sentido da universalização do serviço de distribuição de água por redes de abastecimento, deve-se, contudo, ter em conta que o avanço demonstrado pelos números não significa o pleno atendimento do serviço à totalidade das populações residentes nos municípios. A pesquisa considera como servido todo município que apresenta ao menos um único distrito, total ou parcialmente contemplado com rede de abastecimento de água, independentemente da eficiência do serviço prestado e do número de ligações domiciliares à mesma", pondera o documento do IBGE. Segundo o estudo, existem 33 municípios brasileiros sem abastecimento total de água, entretanto, há outros 793, grande parte deles na região Nordeste, nos quais o abastecimento é feito de maneira alternativa, por meio de cisternas ou outros mecanismos.

A coleta de resíduos sólidos, de acordo com o Atlas, também melhorou, embora a destinação desses materiais permaneça um desafio. Mais de 50% dos municípios brasileiros ainda recorrem a lixões para descartarem o lixo, apesar de a Lei Nacional de Resíduos Sólidos, que vigora desde 2010, preveja que até 2014 todos os lixões do país precisam ser fechados. Os serviços de manejo de águas fluviais também são mais estruturados nas regiões Sul e Sudeste. Neste aspecto, os municípios menores têm mais deficiências nesse tipo de serviço.

Os dados do Atlas confirmam que a maior deficiência do país está mesmo no esgotamento sanitário. O chefe do Departamento de Saúde Ambiental (Desa) da Ensp/Fiocruz, Paulo Barrocas, analisa por que há pouco investimento nesse tipo de serviço. "A rede de esgoto está enterrada, então, não é uma obra que todo mundo vê, está debaixo do solo. Outra questão é que ainda existe um pouco essa mentalidade de que a solução para a poluição é a diluição, então, eu posso jogar a minha poluição num corpo d'água receptor, aquilo será diluído e irá se resolver o problema simplesmente diluindo. Só que já está claro, com todas as alterações que nós temos nos corpos d'água receptores, que há uma grande contaminação, e não apenas em megalópoles, mas também em cidades de médio e pequeno porte", explica.

A professora Simone critica o corporativismo que impede que soluções baratas sejam adotadas para resolverem os problemas de saneamento da população. "Há um corporativismo do cimento, do tubo PVC. Em países mais pobres se faz inclusive tubulação de rede esgoto de bambu, basta ter um bom preparo, mas não há interesse em fazer essa tecnologia de baixo custo", pontua. Para a pesquisadora, isso gera as grandes desigualdades reveladas no Atlas. "No Nordeste, há água a 100 ou 200 metros abaixo da terra, basta escavar e fazer açudes, mas há um conflito de interesses que impede que isso seja feito. Dá para ter saneamento a baixo custo, mas outras coisas têm mais visibilidade política. O abastecimento de água ainda aparece mais, porque dá para fazer uma torre, por exemplo, mas o esgoto fica escondido, então não gera votos. Esse Atlas reflete a falta de políticas sociais", analisa.

Estações de tratamento não estão preparadas para retirarem novos resíduos
Paulo Barrocas alerta para um grave problema a ser enfrentado nas próximas décadas: o da qualidade da água. "Não é que a água irá desaparecer, mas se a qualidade dos nossos cursos d'água ficar muito ruim, primeiro será muito caro tratar essa água porque ela estará muito contaminada, exigirá uma série de tratamentos mais caros. Em segundo, pode chegar a um ponto que se torne inviável consumi-la", complementa.  Ele diz que há hoje a contaminação da água por novos compostos, cientificamente chamados de xenobióticos, ou seja, substâncias sintéticas, que não são encontradas na natureza, mas produzidas em laboratório.

O pesquisador explica que a grande dificuldade é que as estações de tratamento não estão preparadas para despoluírem a água e o esgoto desses tipos de substâncias. "São contaminantes sobre os quais não se conhecia muito. O que se espera tradicionalmente de uma estação de tratamento doméstico é que ela tire matéria orgânica, carbono, nitrogênio, fósforo. Na estação de tratamento de efluentes industriais, isso vai depender do processo industrial. Por exemplo, se é um processo de uma indústria metalúrgica, que trabalhe com metais, será necessário algum processo químico de remoção dos metais, e esses são processos específicos. As estações convencionais de tratamento de água não foram pensadas para tirar, por exemplo, os hormônios - que são exemplos de xenobióticos -, que cada vez mais são lançados", detalha.

O professor diz que se não houver procedimentos específicos para removê-los, esses materiais permanecem na água. "Esses produtos decorrem de uma série de atividades industriais, principalmente da petroquímica. São principalmente compostos orgânicos, como o bisfenol, que está no produto das mamadeiras. Os agrotóxicos também entram aí. Esses aditivos químicos que utilizamos muito nos alimentos industrializados para terem um aroma, um gosto e uma cor, também. E muitos desses aditivos podem desencadear alergias, principalmente em crianças que têm um sistema imunológico que ainda está sendo desenvolvido. Uma série dessas substâncias sintéticas é lançada no ambiente sem que tenhamos uma certeza absoluta de todo o dano que elas podem causar", alerta. Para o pesquisador, a solução é evitar que esses produtos sejam lançados no meio ambiente, pensando em modificações nos modelos de produção e consumo.

Problemas de saneamento e problemas sociais
Paulo Barrocas destaca que as regiões com os piores índices de saneamento são também aquelas nas quais outros direitos fundamentais são precários. Ele comenta sobre como as populações, dependendo do nível de renda e poder, são atingidas desigualmente pelas falhas de políticas públicas de saneamento. "Não se constrói aterro sanitário no Leblon (bairro da zona sul do Rio de Janeiro), se construirá em um local onde as pessoas não conseguem se mobilizar, porque ninguém quer ter um aterro perto de casa. A capacidade de mobilização e de influência dos diferentes grupos da sociedade está diretamente relacionada com o poder sócio-econômico que elas têm. Então, às pessoas que têm menos poder será imposto um maior peso pelos desastres ambientais", compara.
O pesquisador destaca que, entretanto, as condições de saneamento podem afetar todas as pessoas, mesmo em regiões distantes, tanto no interior quanto nas capitais. "Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, captamos água para consumo do rio Guandu. Uma cidade pequenininha pode estar contaminando o rio lá em cima e depois, nós aqui da cidade grande, vamos captar a água para beber. Às vezes a causa de um problema está em um lugar específico, mas as conseqüências do problema são deslocadas no tempo e no espaço. É difícil caracterizar as conseqüências de uma contaminação, porque às vezes aquilo irá acontecer 20 anos depois, ou dez quilômetros abaixo. Não tem como fazer uma fronteira e dizer: ‘olha, o vento não pode passar daqui para lá’. Os problemas ambientais, pela sua própria natureza, não respeitam limites políticos, geográficos, por isso necessitam sempre de uma ação conjunta", destaca.

O Atlas mostrou que as condições de saneamento melhoraram mais nas grandes capitais do que no interior. Para a professora Simone Cynamon, a questão do saneamento deve ser pensada a partir de bacias hidrográficas. "O nosso território é amplamente hídrico, então, essa questão de responsabilidades não pode ser dividida exatamente entre estados, municípios e federação. Como o saneamento não pode ser localizado, ele deve ser pensado na bacia hidrográfica como um todo", opina. O Atlas também apresenta um estudo relacionando o saneamento às bacias hidrográficas. Em um dos mapas aparecem os locais onde há mais ameaça de poluição aos recursos hídricos, principalmente com o lançamento de esgoto. Há muitas ameaças detectadas em todo o território brasileiro, mas as regiões com maiores problemas são as litorâneas, com destaque para o Nordeste e o Sudeste.
Legislação
Apenas recentemente o Brasil elaborou duas legislações para abordar o problema dos resíduos sólidos e do saneamento como um todo. A Lei nº 11.445/2007, regulamentada pelo Decreto nº 7.217/2010, estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico no país. Já a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi instituída pela lei 12.305/2010. "É preciso que todos os entes federados participem para que essas políticas sejam implementadas. Na questão dos resíduos sólidos, a sociedade também é um dos atores que estão previstos naquela política. Portanto, sem a política não se tem nada, mas é preciso tirar essa letra do papel e aí depende da mobilização da sociedade e do interesse dos governantes", avalia Paulo Barrocas.

A Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA), ligada ao Ministério das Cidades, está elaborando um Plano Nacional de Saneamento Básico (PlanSab), conforme determina a lei 11.445. De acordo com a página eletrônica da Secretaria, o plano "será um instrumento fundamental para a retomada da capacidade orientadora do Estado na condução da política pública de saneamento básico e, conseqüentemente, da definição das metas e estratégias de governo para o setor no horizonte dos próximos vinte anos, com vistas à universalização do acesso aos serviços de saneamento básico como um direito social, contemplando os componentes de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas".

A SNSA foi procurada pela reportagem para comentar os dados divulgados no Atlas do Saneamento 2011, mas respondeu, por meio da assessoria de imprensa, que ainda não havia concluído a análise dos resultados e que se pronunciará posteriormente. "Apesar de o saneamento como política pública remontar à década de 1930, quiçá ao século XIX, a dívida social com grande parte da população persiste enquanto um fato permanente na sociedade brasileira, constituindo um desafio a ser transposto em curto e médio prazos pelo Estado e pela sociedade em geral", conclui o Atlas de Saneamento 2011.

Raquel Júnia é jornalista da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).
PUBLICADO NO SITE www.correiocidadania.com.br

Mantras - Pingo de Fortaleza, Marcus Vinnie e Sílvio Gurjão

domingo, 20 de novembro de 2011

UMA REFLEXÃO SOBRE EDUCADORES - AS CRIANÇAS SABEM DAS COISAS

MINHA PROFESSORA 

Obrigada professora por ser paciente comigo e com meus colegas. Agradeço pelas tarefas caprichadas feitas com amor e carinho.
Não sei como seria a minha vida sem a professora.
É por isso e por muitos outros motivos que eu agradeço a minha querida professora.

Luana Cavalcanti Pereira
3º ano Colégio Irmã Maria Montenegro

Meus professores

Na minha escola tem uma turma
preparada para ensinar
é a turma dos professores
que aqui vou homenagear.
Quando tenho alguma dúvida,
vou direto perguntar:
-Professor, não entendi !
e ele começa a explicar
Todos são atenciosos
e ensinam direitinho
agora e todo o sempre
vou lhes dar o meu carinho.

Marina Arbe
5 ano E Colégio Antares
Fonte: JORNAL O POVO - COLUNA JORNAL DO LEITOR

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

educação , cidadania e consciência ambiental

ecodesfile

ALUNOS DO CURSO DE DESIGN DE MODAS DA FACULDADE ESTÁCIO DO CEARÁ estarão realizando o ECODESFILE que será realizado da UNIDADE VIA CORPVS - RUA ELISEU UCHOA BECO com materiais recicláveis. As alunas que serão modelos foram recrutadas nas ESCOLAS MUNICIPAIS ANTONIETA CALS e MONSENHOR LINHARES. o evento acontecerá a partir das 8 horas e sua presença é importante para consciência ambiental e moda andarem juntas e passarem uma boa mensagem. Compareça!!!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ecodesfile

ALUNOS DO CURSO DE DESIGN DE MODAS DA FACULDADE ESTÁCIO DO CEARÁ estarão realizando o ECODESFILE que será realizado da UNIDADE VIA CORPVS - RUA ELISEU UCHOA BECO com materiais recicláveis. As alunas que serão modelos foram recrutadas nas ESCOLAS MUNICIPAIS ANTONIETA CALS e MONSENHOR LINHARES. o evento acontecerá a partir das 8 horas e sua presença é importante para consciência ambiental e moda andarem juntas e passarem uma boa mensagem. Compareça!!!

domingo, 13 de novembro de 2011

A CRISE AMBIENTAL SEGUNDO MARINA SILVA

13/11/2011 - 19h00

Crise ambiental é discutida a passos de tartaruga, diz Marina Silva em Fórum

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KÁTIA LESSA
ENVIADA ESPECIAL A PAULÍNIA
A ex-senadora Marina Silva foi uma das palestrantes do domingo no 2º Fórum Global de Sustentabilidade SWU, no Teatro Municipal de Paulínia.
Usando um vestido longo marrom e um grande colar de madeira, ela pediu para discursar sentada porque estava com um problema de visão e não queria se atrapalhar com as anotações feitas em um papel.
Ovacionada pelo público, que a aplaudiu de pé, Marina começou dizendo que não tem conhecimento acadêmico para falar sobre sustentabilidade, mas que tem a experiência de 30 anos de militância e 16 anos como senadora e como ministra do Meio Ambiente do presidente Lula.
A convidada disse que o mundo está vivendo uma crise civilizatória, com desdobramentos sociais, econômicos, políticos, de valores, mas principalmente ambiental.
"A crise ambiental é a mais grave. Quando existe uma crise econômica logo aparecem milhões para sanar o problema. Mas na ambiental ninguém reverte os danos e tudo é feito a passos de tartaruga", disse.
A ex-senadora explicou um termo que acaba de desenvolver, o da "democracia prospectiva", que explica a forma como os cidadãos estão lutando por seus ideais hoje.
"Antigamente eram os partidos ou os governos que prospectavam pela democracia. Hoje, com a internet, são milhares de pessoas prospectando, e isso é poderoso."
Quando a apresentadora do evento sinalizou que o tempo da palestra estava esgotado, o público se manifestou e pediu que Marina continuasse a falar.
Ela evoluiu por mais 15 minutos e fechou a palestra dizendo que o povo deve assumir uma postura de atitude. "Chegou a hora de acabar com a casa grande e a senzala. Precisamos de um Estado mobilizador."
Depois da palestra Marina Silva revelou que assistiu ao show do rapper Snoop Dogg pela televisão enquanto sua filha conferia ao vivo a apresentação do Black Eye Peas.
FONTE: FOLHA ON LINE

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

conheça o Projeto Natureza a pé

PROJETO NATUREZA A PÉ - UMA AÇÃO DO PROJETO ECOGALERA que será desenvolvido hoje pelas ESCOLAS MONSENHOR LINHARES na Parquelândia e PRESIDENTE ROOSEVELT no São Gerardo.  Atividade que consiste em uma caminhada pelo bairro no sentido de conhecer aspectos naturais e sociais dos bairros Parquelândia e Rodolfo Teófilo. Visitaremos o EMTRE - CENTRO DE RECICLAGEM e a LAGOA DO PORANGABUÇU. Vale a pena esta ação pela natureza.

sábado, 5 de novembro de 2011

UMA REFLEXÃO IMPORANTE PARA DEBATE

Por um mundo melhor

05.11.2011 - fonte JORNAL DO LEITOR - O POVO
Você, que é jovem ou velho, rico ou pobre, não se esqueça de sua importância para o mundo e seja uma pessoa melhor: colabore para a sociedade!

Todos nós precisamos cuidar da natureza; pois só assim nós garantimos o futuro do planeta, pois a vida é impossível sem os recursos naturais. Devemos cuidar dos animais para impedir sua extinção, coisas que já aconteceu com várias espécies, além das plantas também.

Apesar de a natureza ser tão importante, não devemos esquecer-nos da nossa sociedade, onde devemos sempre tentar ajudar o próximo e a população. Podemos ajudar os outros realizando essas ações, dando o que não usamos e arredando fundos para instituições de caridade.

Estamos na Semana do Bem Viver, devemos sempre ser preocupados com o meio ambiente e com as pessoas que estão ao nosso redor, mas nessa semana nós devemos estar mais preocupados ainda com essas coisas, sempre pensando no bem da nossa sociedade e da natureza!

João Lucas Braga Barros - 9° ano TAB Colégio Batista Santos Dumont

domingo, 30 de outubro de 2011

campanha em defesa do Cocó

FAÇA A SUA PARTE EM DEFESA DO QUE AINDA RESTA DE VERDE EM NOSSA CIDADE. ASSINE A PETIÇÃO PÚBLICA EM DEFESA DAS DUNAS DO COCÓ.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

CONCURSO INCENTIVA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Concurso “Construindo um novo Planeta” mobiliza 1.232 escolas

Publicado em 23/10/2011 - 7:00 por Maristela Crispim | Comentar


O Instituto Ayrton Senna e a Nestlé promovem o concurso “Construindo um novo Planeta” de produção de texto e desenho para alunos da rede pública de ensino. O objetivo é estimular a reflexão e sensibilizar para temas relacionados às questões ambientais e sustentabilidade.
Crianças e jovens de 1.232 escolas de 21 estados estão inscritos no Concurso Cultural. Para participar, os alunos devem estar inscritos em um dos Programas do Instituto Ayrton Senna (Se Liga, Acelera Brasil ou Circuito Campeão). A expectativa é que essa ação impacte cerca de 500 mil alunos e 20 mil educadores.
Na categoria desenho concorrem alunos dos programas Se Liga e Circuito Campeão – 1º ao 3º ano -, com o tema: “Como é o mundo em que você quer morar?”. Na categoria produção de texto participam alunos do Acelera Brasil e Circuito Campeão – 4º e 5º anos -, com o tema: “Quais são suas ideias para um planeta mais sustentável?”.
Os trabalhos serão avaliados por representantes das escolas, secretarias de Educação e pelo Instituto Ayrton Senna, que indicará os vencedores.
Premiação
Os vencedores dos 1º, 2º e 3º lugares ganharão prêmios como notebook, bicicleta, aparelho de DVD, câmera digital, material escolar com produtos Senninha, brinquedos educativos e livros educativos.
Os professores também ganharão prêmios, como: notebook, câmera digital, pendrive Ayrton Senna, DVD do Documentário Senna e livro Ayrton Senna. A escola será premiada com um troféu, réplica do capacete utilizado pelo piloto Ayrton Senna da Silva em escala 1:2, DVD documentário Senna e o livro Ayrton Senna.
O evento de premiação acontecerá em São Paulo, no mês de dezembro, com as presenças dos vencedores, professores e diretores das escolas premiadas.
Parceria
A educação por uma vida sustentável deve começar na escola, despertando nas crianças e jovens um olhar de curiosidade e responsabilidade sobre o meio ambiente. Acreditando nisso, a Nestlé e o Instituto Ayrton Senna (IAS) se uniram para levar aos alunos de escolas municipais e estaduais de todo o País – parceiras do IAS – aprendizagem socioambiental e conscientização sobre o papel de cada um na construção do futuro. O objetivo é sensibilizar o estudante para que ele possa incorporar ao seu cotidiano atitudes mais responsáveis e, ainda, reproduzir o aprendizado para a família e comunidade.
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fonte: BLOG GESTÃO AMBIENTAL - DIÁRIO DO NORDESTE

sábado, 22 de outubro de 2011

MONITORANDO A SITUAÇÃO DO BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO

21/10/2011 - 16h56

Buraco na camada de ozônio chega a nível máximo nesta temporada

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DA EFE
O buraco na camada de ozônio no hemisfério sul chegou a seu nível máximo anual em 12 setembro, ao alcançar 16 milhões de quilômetros quadrados, o 9º maior dos últimos 20 anos. As informações são da Nasa (agência espacial americana) e da Noaa (Administração Atmosférica e Oceânica dos EUA).
A camada de ozônio protege a vida terrestre ao bloquear os raios solares ultravioleta e sua redução adquire especial importância nesta época do ano, quando o hemisfério sul começa a ficar mais quente.
A Nasa e a Noaa utilizam instrumentos terrestres e de medição atmosférica aérea a bordo de globos e satélites para monitorar o buraco de ozônio no polo Sul, os níveis globais da camada de ozônio na estratosfera e as substâncias químicas artificiais que contribuem para a diminuição do ozônio.
"As temperaturas mais frias na estratosfera causaram neste ano um buraco de ozônio maior que a média", disse Paul Newman, cientista-chefe do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa.
"Embora fosse relativamente grande, a área do buraco de ozônio neste ano estava dentro da categoria que esperávamos, dado que os níveis químicos de origem humana persistem na atmosfera", lamentou.
O diretor da divisão de Observação Mundial da Noaa, James Butler, afirmou que o consumo dessas substâncias que destroem o ozônio diminui pouco a pouco devido à ação internacional, mas ainda há grandes quantidades desses produtos químicos causando danos.
No entanto, a maioria dos produtos químicos permanece na atmosfera durante décadas.
A Noaa esteve monitorando o esgotamento do ozônio no mundo todo, incluindo o polo Sul, de várias perspectivas, utilizando globos atmosféricos durante 24 anos para recolher os perfis detalhados dos níveis de ozônio, assim como com instrumentos terrestres e do espaço.
Fonte:www.folhaonline.com.br

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

veja esta entrevista

Novo Código Florestal é mais um capítulo do histórico domínio do Brasil pelo agronegócio Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader, da Redação   
Terça, 31 de Maio de 2011

Após meses de calorosos debates e pesados lobbies, a Câmara dos Deputados aprovou o substitutivo do atual Código Florestal, projeto apresentado pelo deputado do PC do B Aldo Rebelo, em nome de toda a bancada dos empresários ruralistas que ocupam o Congresso. Para analisar a pior derrota do núcleo duro governista até o momento, refratário ao novo Código, o Correio da Cidadania conversou com o geógrafo da USP Ariovaldo Umbelino.

Escaldado com os projetos anti-ambientais, naquilo que já cunhou de "agrobanditismo", Umbelino não se mostrou surpreso com mais essa vitória ruralista, na esteira das MPs 422 e 458, além do programa Terra Legal. São todos estes, a seu ver, contribuintes inequívocos para o aumento da violência no campo, já registrado nas estatísticas de 2009 para 2010 e marcado a fogo com o assassinato de um casal de extrativistas paraenses na véspera da votação do novo Código Florestal.

O professor da USP, atualmente em visita na Universidade Federal de Tocantins, critica todos os pontos modificados ao interesse dos latifundiários, mas destaca como mais temerárias a anistia a desmatamentos já realizados e a redução de Áreas de Proteção Permanente, as APPs. Além da diminuição da exigência de preservação de matas ciliares, quando estudos já apontam que isso leva ao ressecamento de nascentes de rios, como se verifica no São Francisco.

Sobre estados e municípios tomarem para si a atribuição federal de definir políticas ambientais de uso e concessão de solo, considera ser o ponto mais fácil de derrubar no Supremo. De toda forma, Umbelino crê que, com ou sem o novo Código, o desmatamento continuará a todo vapor, "porque não tem fiscalização e governo que façam cumprir as infrações à lei no Brasil" e "a maior parte do Congresso é favorável à desregulamentação geral do que o agronegócio entende como obstáculos". Exatamente por isso, não acredita que Dilma conseguirá impor o veto ao projeto, conforme declarou.

A entrevista com Ariovaldo Umbelino pode ser lida em sua íntegra a seguir.

Correio da Cidadania: Como o senhor analisa a aprovação na Câmara dos Deputados do novo Código Florestal, apresentado por Aldo Rebelo, com o afrouxamento de exigências e regras estabelecidas pelo Código anterior?

Ariovaldo Umbelino: A aprovação do Código Florestal com as modificações introduzidas pelo Aldo Rebelo vai na mesma direção de um conjunto de legislações que foram sendo afrouxadas, sob o objetivo fundamental de liberação integral para a ação do agronegócio em território brasileiro. Tais ações começaram com a lei que permitiu a introdução dos transgênicos, passaram pela permissão à retirada de madeira de dentro das florestas nacionais e também pelas MPs 422 e 458, que permitiram a legalização da grilagem na Amazônia legal.

Portanto, o projeto desse Código Florestal faz parte da história que marcou o governo do presidente Luiz Inácio e agora se estende, no sentido de desregulamentar toda e qualquer legislação que impeça a ação do agronegócio no Brasil. É o principal ponto.
E evidentemente Aldo Rebelo prestou mais um desserviço à sociedade brasileira. Primeiro, por fazer um substitutivo já ruim, e, em segundo lugar, por abrir a possibilidade de aprovação das modificações introduzidas no plenário. Elas tornaram o projeto, do ponto de vista da proteção ambiental, péssimo e infrator de todos os princípios de preservação, ainda introduzindo artigos que permitirão a imposição da lógica da terra arrasada ao meio ambiente brasileiro.

Correio da Cidadania: Com o novo Código, estados e municípios, mais vulneráveis a pressões políticas, poderão legislar sobre o uso e concessão do solo em Áreas de Proteção Permanente, uma política, dentre outras, até então sob o âmbito federal. O que pensa disto?

Ariovaldo Umbelino: Esse talvez seja o ponto mais fácil de derrubar no Supremo. A Constituição atribui à União o poder de legislar sobre o meio ambiente. É um item que começa a abrir precedentes, mas imagino que, mesmo aprovado, possa ser derrubado por ação de inconstitucionalidade. Diferentemente dos outros itens, de interesse direto ao próprio Código, que pela Constituição devem ser objeto de lei. Eles também têm problemas de introdução, mas a briga é sempre imprevisível.

De toda forma, tal medida equivale a transferir toda a legislação de terras a estados e municípios.

Correio da Cidadania: O que é impraticável na realidade, pois, tal como você já nos disse, biomas e áreas de preservação não reconhecem limites geográficos desenhados pelo homem.

Ariovaldo Umbelino: É como dizer que a legislação ambiental não é mais da alçada do governo federal. E assim, com uma lei, se revoga a Constituição. De qualquer maneira, ainda acho que esse ponto não é o mais complicado. O pior são as reduções nas APPs, a consolidação do estrago já feito nelas com a anistia a desmatadores.

Correio da Cidadania: A dispensa de reposição de reservas em pequenas propriedades, de até 4 módulos fiscais, não acarretará, ademais, uma avalanche de medidas para driblar a legislação, como, por exemplo, a partilha de propriedades?

Ariovaldo Umbelino: Sobre isso, há o problema de se apresentar tal fato como reivindicação dos pequenos proprietários. Na realidade, isso não existe tão claramente como se coloca aqui no Brasil. Como exemplo, temos o setor sucroalcooleiro, cujas propriedades nunca deixaram de continuar a ser compradas, mas seus donos nunca fundiram as escrituras dos imóveis comprados, convertendo-as em uma única. Nesse setor, portanto, existe muita área considerada pequena propriedade, cuja escritura atesta ser inferior a 4 módulos fiscais. Esses proprietários também serão beneficiados, porque a rigor a propriedade é inferior ao tamanho proposto.

Os grandes proprietários do Brasil não anexam todas as suas propriedades. Por trás da proteção aos pequenos agricultores, portanto, protegem-se os grandes. Em Ribeirão Preto e região, há até unidade industrial de usina de açúcar em cima de APP. Na verdade, é uma proteção aos grandes, a todos os setores do agronegócio.

Correio da Cidadania: Haveria como averiguar efetivamente onde estão os agricultores que são realmente familiares, que são aqueles que deveriam de fato ficar isentos dessa reposição de reservas?

Ariovaldo Umbelino: É claro. Na verdade, a permissão deveria ser competência do IBAMA, via utilização de imagens de satélite do INPE, para verificar onde há de fato uma agricultura familiar forte. Mas deveria ser estudado caso a caso, e não fazer uma legislação que afrouxa tudo genericamente.

Correio da Cidadania: Vivemos uma época com a ocorrência inegável de catástrofes produzidas por eventos da natureza, com destaque para a mais recente tragédia, a da Região Serrana do Rio de Janeiro. Além dos afrouxamentos já citados, reduzir a área de proteção nas matas ciliares e em margens de rio poderá agravar este quadro com grande intensidade?

Ariovaldo Umbelino: No caso do Rio de Janeiro, deve-se ver de forma distinta. Houve deslizamentos em áreas de intervenção humana, assim como em áreas sem intervenção. Um ano antes em Angra foi a mesma coisa. Na realidade, a proteção de tais áreas é necessária porque por natureza são áreas instáveis. Sobretudo nos biomas onde chove acentuadamente, como é o caso dessa região do Rio de Janeiro. É bom lembrar que na década de 60 o mesmo fenômeno ocorreu em Caraguatatuba. O desmatamento só agrava, mas vale dizer que mesmo assim essas áreas são instáveis.

Já a proteção das matas ciliares tem fundamentalmente a ver com a proteção das nascentes. Há estudos em Minas Gerais dando conta de que mais de 3000 nascentes do São Francisco já secaram em função do desmatamento das matas ciliares. Já há estudos no Brasil comprovando que o desmatamento da mata ciliar pode levar ao ressecamento das nascentes.

Correio da Cidadania: Quanto à anistia que se pretende dar às infrações ambientais cometidas até 2008, desde que reconhecidos os crimes pelos infratores, não vai abrir um sério precedente para o incremento do desmatamento em estados tradicionalmente agressores da preservação ambiental?

Ariovaldo Umbelino: Bom, é claro que devemos classificar esta medida como gravíssima, não há como não usar essa palavra. Mas no Brasil nenhum infrator é multado! E quando o é, o Estado não cobra a multa.

Por exemplo: os proprietários que não pagaram o Imposto Territorial Rural nunca foram multados, processados. Se lembrarmos do Raul Jungmann, no governo FHC, quando assumiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a primeira modificação legal que ele fez foi introduzir o imposto territorial progressivo. Ou seja, se o dono não paga o imposto, ele aumenta no ano seguinte, progressivamente, até que um dia a multa supere o próprio valor do imóvel. Mas nunca alguém foi processado.
O Brasil tem leis boas, o problema sempre foi, infelizmente, o cumprimento, a execução do Estado para que elas se cumpram de fato.

Correio da Cidadania: Mas isso não pode se agravar diante de tamanha liberalização?

Ariovaldo Umbelino: A anistia é um ato declarado disso tudo. Mas, quando o presidente Luiz Inácio fez o decreto que legalizou os transgênicos, também perdoou quem tinha importado e usado ilegalmente sementes transgênicas até então. A história brasileira é de condescendência com as ações ilegais.

Se eu infrinjo a lei, sou multado e anistiado, posso continuar infringindo a lei. O ponto é que, com ou sem esse novo Código Florestal, aconteça o que acontecer, o desmatamento vai continuar, porque não há fiscalização e não tem governo que faça cumprir as ações contra a infração da lei.

E nesta questão se inclui ainda o Judiciário. Sabemos que o Judiciário não julga nada ou julga a favor dos grandes. Como exemplo, lembro a Cosan, que foi incluída na lista suja do trabalho escravo. No dia seguinte, um juiz foi lá e deu liminar para que o nome da empresa fosse retirado da lista suja. A justiça brasileira também nunca garantiu o cumprimento e o respeito às leis.

Correio da Cidadania: O que o senhor diria a respeito dos argumentos de cunho nacionalista proferidos por Aldo Rebelo e outros defensores da proposta aprovada?

Ariovaldo Umbelino: Quem fez o texto do substitutivo ao Código Florestal apresentado por ele foi uma advogada da CNA, Confederação Nacional da Agricultura, informação conhecida pelo Brasil todo. Em segundo lugar, se formos olhar a lista dos seus doadores de campanha, veremos que constam as principais empresas do agronegócio.

Portanto, ele é um vendido. Como diria Brizola, "mais um vendilhão da pátria".

Correio da Cidadania: O que pensa do assassinato do casal José Claudio e Maria, militantes do campo, às vésperas da votação do novo Código? Podemos esperar por tempos ainda mais violentos no campo, com a aprovação desse Código Florestal?

Ariovaldo Umbelino: Sim, podemos. Se olharmos os dados da CPT, a Comissão Pastoral da Terra, de assassinatos no campo no ano passado e também em 2009 verificamos que há aumento no número de crimes. Quer dizer, entre 2009 e 2010 já ocorreu aumento dos assassinatos, após as MPs 422 (regulariza propriedades de até 1500 hectares na Amazônia Legal) e 458 (visa acelerar regularização de tais propriedades, apelidada de "MP da Legalização da Grilagem", por igualar posseiros e grileiros) e o programa Terra Legal (regulariza posses na Amazônia sem garantir fiscalização à propriedade, a fim de comprovar as dimensões declaradas, entre outras irregularidades abrigadas também nas MPs citadas).

A realidade, portanto, é que já houve conseqüências, e a aprovação desse novo Código, evidentemente, só vai aumentar a violência do campo.

Correio da Cidadania: O que essa vitória da bancada parlamentar dominada pelos empresários do latifúndio representa do atual estado de nossa política parlamentar e institucional?

Ariovaldo Umbelino: Primeiro, devemos lembrar a realidade cruel: a maior parte dos nossos representantes no Congresso é favorável a essa desregulamentação geral de leis que o agronegócio entende como obstáculos restritivos. Mas não é só a bancada ruralista a responsável. O Aldo Rebelo não precisava ter feito o substitutivo. Já foi líder de bancada do governo, presidente da Câmara... Podia ter feito diferente. Aliás, a ação dele nesse episódio e na demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em 2009, mostra que de comunista ele não tem mais nada.

A verdade é que a maior parte de nossos parlamentares tem compromisso com o agronegócio. E estão fazendo valer o poder que têm, votando favoravelmente ao agronegócio, inclusive os partidos de esquerda, que entendem que esse estilo de agricultura e o capitalismo devem continuar se expandindo, pois geram empregos, divisas pra balança comercial... A mesma concepção que vem desde o período colonial e que faz do Brasil uma economia primário-exportadora.

Correio da Cidadania: Acredita que a reforma do Código Florestal possa ser barrada, ou minimamente alterada, no Senado? Em um momento em que o governo está refém de uma crise política, novamente protagonizada por Palocci, terá a presidente Dilma condições de reverter os pontos mais lesivos?

Ariovaldo Umbelino: Eu acho que não. Acho que o Senado oferece o risco de piorar ainda mais a situação. E se a Dilma for lá e vetar, como já está declarando, o que vai acontecer é que vão derrubar o veto. E do ponto de vista político o estrago será maior. O caso do Palocci só torna o jogo político mais agudo. O governo do Luiz Inácio também foi refém do Congresso durante oito anos. Esse não será diferente.

Correio da Cidadania: O que esperar do governo Dilma na área ambiental e no que se refere à política agrária?

Ariovaldo Umbelino: Até o momento, ela não tornou públicos os seus planos. Na área agrária, só conheço o primeiro documento que circulou, do MDA, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que simplesmente abandona de forma definitiva a reforma agrária como política pública no Brasil. Nos outros setores, o único ponto em que há algum esboço é na questão que se refere ao combate à pobreza extrema.

Aliás, o Brasil não tem miseráveis, mas "pobres extremos". Como se não fosse a mesma coisa. E evidentemente o desejo dela de fazer algo nessa área é maior. Mas também não há plano divulgado.

Correio da Cidadania: Mas sem uma reforma agrária autêntica, esse objetivo também fica dificultado...

Ariovaldo Umbelino: Porém, quem colocou a questão da reforma agrária na pauta dos governos nos últimos 30 anos foram os movimentos sociais. E eles abandonaram essa bandeira. Se olharmos o abril vermelho deste ano, vamos ver que foi verde e amarelo.

Correio da Cidadania: O que achou do papel da mídia na apresentação da discussão?

Ariovaldo Umbelino: A mídia brasileira, sobretudo a grande mídia, comercial, sempre foi favorável ao agronegócio, isso quando não tinha – ou tem – interesses diretos no agronegócio. Pra mim, particularmente, não foi novidade alguma. Continuaram fazendo o mesmo também em outros temas, como mostra seu combate feroz aos movimentos sociais. É uma mídia inteiramente comprometida com o agronegócio.

Gabriel Brito é jornalista; Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.

Última atualização em Quarta, 22 de Junho de 2011     PUBLICADO NO SITE www.correiocidadania.com.br